Conteúdo principal Menu principal Rodapé
News

Como a Agricultura Climaticamente Inteligente está provocando revoluções na forma de produzir no Brasil

Estufas inteligentes, câmaras de crescimento e biofábricas promovem a adaptabilidade, minimizam impactos ambientais e aumentam a capacidade produtiva dos sistemas agrícolas

Créditos de Imagem: Divulgação GCCRC.

Diante dos desafios crescentes das mudanças climáticas, a ciência e a tecnologia promovem uma revolução silenciosa no campo brasileiro: a agricultura climaticamente inteligente. A agricultura climaticamente inteligente ou agricultura inteligente para o clima (tradução de Climate-Smart Agriculture, CSA) é uma inovação para impulsionar a resiliência no agronegócio brasileiro. Com o aumento dos eventos climáticos alarmantes, o termo foi introduzido em 2010 pela FAO, ganhando maior notoriedade de entidades como o Banco Central.

O conceito de CSA engloba práticas e tecnologias que promovem a adaptabilidade, minimizam impactos ambientais e aumentam a capacidade produtiva dos sistemas agrícolas. No Brasil, duas iniciativas, uma no campo da pesquisa e outra na esfera privada, exemplificam a aplicação desses princípios.

Benefícios diretos para a pesquisa em agricultura

Estruturas como casas de vegetação e câmaras de crescimento permitem o controle preciso de variáveis ambientais como temperatura, umidade e luz. Tecnologias como sensores, iluminação artificial e sistemas automatizados de climatização e irrigação são essenciais para o trabalho de pesquisa, que vai desde o melhoramento genético de espécies agrícolas até a adaptação de sistemas produtivos a cenários climáticos extremos.

O Centro de Genômica Aplicada às Mudanças Climáticas (GCCRC) – uma iniciativa conjunta entre Unicamp e Embrapa financiada pela Fapesp – é um exemplo de como a pesquisa em CSA pode ser aplicada. O centro, que é uma referência na área de genômica e biotecnologia de plantas, realiza parte de suas pesquisas de biotecnologia vegetal, como o milho, em ambientes controlados. Na prática, essa abordagem controlada possibilita simular diferentes cenários climáticos durante o ano inteiro. Com isso, torna-se possível avaliar o desempenho de plantas geneticamente melhoradas, o que seria inviável no campo aberto com múltiplas combinações de estresse.

A pesquisadora da Embrapa e pesquisadora principal no GCCRC e especialista em melhoramento vegetal, Juliana Yassitepe, destaca que esses ambientes permitem entender o comportamento de genótipos frente a variáveis específicas e acelerar a seleção das plantas mais resistentes, reduzindo custos. “O ambiente protegido pode ajudar o melhorista a entender qual é o comportamento de um determinado genótipo frente a uma combinação de variáveis, como o aumento de temperatura e CO2, por exemplo”, explica Yassitepe.

O GCCRC também utiliza drones e fenotipagem digital para coletar dados em tempo real, monitorar áreas experimentais e auxiliar na tomada de decisão, prevendo o potencial desta ferramenta no campo. “No curto prazo, drones serão ferramentas comuns para produtores, fornecendo informações que orientarão aplicações específicas, reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade,” prevê Juliana.

Biofábricas: revolução na agricultura

Soluções do tipo CSA são vistas como fundamentais para reduzir a dependência de importações e acelerar a inovação agrícola. No Brasil este tipo de inovação é de interesse especialmente para setores como fruticultura, horticultura e produção de biocombustíveis, nos quais a demanda por volume e qualidade de produtos cresce rapidamente.

Neste sentido, um conceito de biofábrica promete transformar o setor de produção de alimentos. As biofábricas no Brasil, segundo estudo publicado no Brazilian Journal of Science, tem se desenvolvido como instalações que usam biotecnologia para produzir mudas e bioprodutos agrícolas em larga escala, de forma controlada e eficiente. Com o uso de técnicas como a micropropagação e equipamentos como biorreatores, elas permitem a multiplicação rápida de plantas e o desenvolvimento de insumos biológicos para controle de pragas, contribuindo para uma agricultura mais moderna e sustentável.

“Com as biofábricas vamos conseguir transformar o metro cúbico em unidade produtiva, otimizando espaço, reduzindo custos e ampliando a escala de produção”, comenta Carlos Conte, fundador da C4 Científica, empresa especializada em implantação de soluções tecnológicas e insumos para a agricultura em ambiente controlado. “Estufas inteligentes, câmaras de crescimento e biofábricas são exemplos de tecnologias de ambientes controlados tornam a produção agrícola mais eficiente e sustentável”, explica Conte. Para expandir os sistemas de produção vegetal em larga escala, a C4 está investindo em pesquisa e desenvolvimento, pois vê um negócio promissor no país. Para Conte, esse modelo, ainda incipiente no Brasil, apresenta potencial para responder à demanda crescente por biotecnologia, cultivo indoor e sistemas de produção mais eficientes, viabilizando negócios e democratizando o acesso à tecnologia.

Ambas as iniciativas demonstram o potencial brasileiro em aplicar a ciência e a tecnologia para desenvolver e implementar a agricultura climaticamente inteligente no país. Além da pesquisa, o GCCRC fortalece o setor por meio de parcerias nacionais e internacionais e pela formação de recursos humanos qualificados, tanto empreendedores quanto profissionais para o mercado de biotecnologia. De forma semelhante ao GCCRC, a C4 Científica aposta em parcerias estratégicas com universidades e centros de pesquisa e busca a internacionalização para posicionar o Brasil como protagonista global em biotecnologia agrícola.

Ir para o topo